Revista Médico em Dia - 192

ISSN 2316-5065

ANO XVIII Nº 192

SETEMBRO | OUTUBRO DE 2020

O melhor remédio é amor e carinho.
E se não funcionar?

Aumente a dose!
COMEMORAÇÃO

Mesmo com sorrisos mascarados, o mês de outubro foi marcado pela alegria dos associados.
pg.

20

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Revista Médico em Dia Setembro | Outubro de 2020
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Setembro | Outubro de 2020

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SUMÁRIO

20

Dia do
Médico
Mesmo com sorrisos mascarados, o mês de outubro foi marcado
por união e alegria entre os associados. Veja como foram as
comemorações.

11

22

28

Posse

Corrida do Médico

Médico sem jaleco

Em cerimônia simbólica, nova diretoria
assina a ata de posse e se prepara para a
gestão do próximo triênio.

Inovação foi a palavra de ordem para a
edição de 2020. Mais de 1 mil inscritos
participaram da competição.

Como o piano mudou a rotina e aliviou o
estresse do dia a dia desses profissionais da
saúde

10

Poesia Cura

Ao Mestre com Carinho

51

Vocabulário Médico

26
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43

18

4

Atos da Diretoria

Dia das Crianças

52

Cinema

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PALAVRA DO PRESIDENTE

Prezados colegas, estamos chegando à reta final deste ano que muito nos ensinou.
Com o distanciamento e a interrupção de praticamente todas as atividades coletivas- sociais,
recreativas, religiosas e até de trabalho, muitos de nós deram-se conta da alegria que um simples
abraço provoca.
Os associados se dividiram diante das limitações de presença física impostas também à AMBr.
Enquanto um grupo aplaudia nossa fiel obediência aos decretos do GDF, outro grupo postulava pela
liberdade de agir.
Como já dissemos, escolhemos obedecer à lei, retomando progressivamente as atividades, à medida
que foram sendo autorizadas pelas autoridades sanitárias. Nem mais, nem menos.
Com as flexibilizações, nos foi possível realizar os primeiros eventos físicos, entre os quais uma
singela cerimônia de posse da diretoria reeleita e um churrasco que substituiu nosso tradicional Baile
de Gala, ao qual mais de 200 associados aderiram.
As alegrias do reencontro estão relatadas nas fotografias desta edição.
Agir de acordo com o que a lei faculta, nos dá respaldo para negar o que não nos é claramente
permitido e aquiescer diante do autorizado.
Na virada de 2019 para 2020 realizamos com sucesso de público, o primeiro reveillon da AMBr.
Diante da dúvida em repetir a festa este ano, quando tantos ainda preferem resguardar-se, esta

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diretoria decidiu fazer uma enquete no site. Vimos que a maioria dos votantes não deseja aderir à
festa este ano.

Assim, comunicamos que NÃO FAREMOS a segunda edição do reveillon, que fica projetada para a
virada do próximo ano, quando tivermos um cenário mais tranquilo da pandemia.
Algumas reuniões administrativas, todas as de cunho político das entidades médicas e também as
atividades científicas e esportivas como o PEC Outubro Rosa e a Corrida do Médico, com base no
novo ordenamento social, seguiram em suas versões on-line. Mas só o correr dos próximos meses
nos dirá se assim permanecerão.
Creio que não passou despercebido a ninguém que o excesso de atividades virtuais gerou
esgotamento.
Assim, quem bater o martelo e jurar que “DE PERTO, NUNCA MAIS”, pode machucar o dedo.
Gente gosta de gente. Graças a Deus! Daí a inspiração terna que a capa desta edição nos traz. Colhida
em outubro, quando a presença dos associados e seus filhos na AMBr começou a ser retomada, a
foto expressa tudo o que desejamos, e que as crianças, na sua espontaneidade e inocência, ensinam:
a alegria de partilhar e festejar a vida! Mesmo diante das incertezas.
As crianças, destaque maior desta edição, estão igualmente lembradas no precioso artigo do Dr
Jordano Araújo e em alguns dos versos que os médicos nos trazem na editoria POESIA CURA.
Por sinal, a coluna que recebe tão somente poemas e pequenas crônicas dos médicos associados,
pela oportuna ocasião, abre carinhosamente espaço para a poetisa Maria Luiza, 9 anos. Vale conferir.
Saudemos, pois, as crianças e a esperança que elas despertam em nosso coração.
Esperança ... é o que temos para 2021!

Um forte abraço!

Ognev Cosac
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VAMOS SALVAR O HOMEM
Ao refletir sobre as dificuldades que as sociedades
manifestam, mundo afora, na implementação de um
programa mínimo (não teórico) de saúde do homem,
surgem inúmeros raciocínios.
Contudo, de saída, pergunto aos nossos experientes
associados: seria o homem o verdadeiro sexo frágil?
Após longa ação realizada pela Sociedade Brasileira
de Urologia (SBU), em agosto de 2009, o Ministério da
Saúde criou o Programa Nacional de Saúde do Homem”.
Lamentavelmente, a maioria das pessoas e muitos
profissionais da saúde desconhecem esta iniciativa.
São alarmantes os números brasileiros: de cada três óbitos
até 59 anos no nosso país, dois são homens.
De cada cinco óbitos entre 14 e 29 anos, quatro são homens.
E a expectativa de vida da mulher é sete anos maior que a
do homem.
São dados críticos para despertar o debate.
Podemos mudar o enfoque para uma ótica filosófica,
buscando o olhar judaico/cristão que norteia nosso
pensamento.
Quem se debruça atentamente sobre o texto do Gênesis,
para ler o mito hebraico da criação do Homem, há de
perceber a presença de duas narrativas distintas.
No capítulo 1 do livro, Deus cria, no "último dia da Criação",
o primeiro casal de humanos: homem e mulher são criados
juntos, num mesmo momento, da mesma maneira.
No capítulo 2, o homem é criado primeiro, enquanto a
mulher só nasce posteriormente, a partir de uma costela
do macho.
Esta aparente e real dicotomia dentro do pensamento
filosófico eclesiástico mostra a dificuldade atávica inerente
à caracterização do homem pelo homem, desde tempos
imemoriais.
A verdadeira mudança ocorrerá quando alterarmos
o paradigma da idealização de homem como forte,
inexpugnável, resiliente, constante e feito de aço - portanto
inquebrável.

Decorre desta consciência coletiva o grande nó, que a nós
médicos cabe modificar.
Ressalvo que, no exercício de nossa arte de curar, temos de
aproveitar o momento em que o homem vem à consulta
médica, não importa a especialidade.
Nessas consultas variadas, é preciso criar condições
adequadas para que este homem cliente entenda ser
importante cuidar da saúde (o seu bem mais valioso).
Todos somos responsáveis pela conscientização dos seres
masculinos.
Médicos civis e militares, médicos de família, cardiologistas,
geriatras, ginecologistas, urologistas, demais especialistas,
gestores em saúde, etc, devem se engajar nesta campanha.
Todos precisamos cumprir o nosso dever de modificar a
sociedade para melhor.
É urgente o desenvolvimento de um modelo corporativo
empresarial e governamental, em todos os níveis, que
inclua a atenção à saúde da população masculina como
prioridade.
Este esforço trará benefícios diversos ao mundo, culminando
com a diminuição do absenteísmo às atividades e menor
adoecimento em geral.
A compreensão pela população de um modelo de cuidado
do homem, que contemple a inclusão da mulher e da
família, é urgente.
O alerta está dado. A conscientização da sociedade para
esta realidade ainda difusa permitirá a melhora global da
saúde da população do sexo masculino, de todas as faixas
etárias.
Conclamo todos os médicos para que lutemos por este
novo paradigma proposto. No geral, o homem nem
percebe, mas precisa muito da nossa solidariedade.
Boa leitura a Todos

DIOGO MENDES
Diretor de Comunicação

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SOMOS A AMBr

Somos a AMBr
A AMBr é feita por muitas mãos, no trabalho voluntário da diretoria e com a dedicação dos funcionários.

Christiane Villas
Gerente de Eventos
Quando falamos em eventos, sejam sociais ou para encontros científicos,
a Associação Médica de Brasília é sempre referência. E por trás de cada
detalhe há uma equipe comprometida e dedicada para que tudo aconteça
com perfeição. Christiane Villas é a atual gerente do setor de Eventos da
AMBr. Organizar um encontro é com ela mesma. Do buffet ao impecável
centro de mesa, Chris é a idealizadora de todos os mínimos detalhes.
Há 26 anos no mercado de Brasília, desde outubro de 2018 comanda os
bastidores das festas e encontros científicos realizados pela Associação.

Luciana Cely
Consultora de Eventos
Se Christiane é a cabeça, Luciana Cely é, sem dúvida, o seu braço direito. A
consultora, que há 6 anos ingressou para o time AMBr, já passou pelo setor
de Comunicação, departamento de Compras e, hoje, se mostra dedicada
e desenrolada quando o assunto é acompanhar algum evento. Além do
trabalho realizado durante as reuniões e comemorações, Luciana também
é a responsável por elaborar propostas, fechar contratos de espaços e
administrar as salas onde estão as sociedades de especialidades.

Fernando Alves, Marcelo Carlos e Jorge Luiz
Apoio
Três importantes nomes completam o time de eventos da AMBr.
Responsáveis pelo apoio, os três são considerados peças-chaves para que
cada projeto seja realizado com segurança, organização e sucesso.
Fernando, já faz parte do grupo de colaboradores da AMBr há 7 anos.
Marcelo, está na AMBr há 3 anos e meio. Já Jorge Luiz, o mais novo da
equipe, que iniciou seu trabalho como menor aprendiz, há 2 anos faz parte
do quadro de colaboradores da casa.
Os três se revezam entre: apoio na montagem e desmonte de salas,
adequação de mesas para os eventos, staff, entre outros.

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Central de Atendimento 24h
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ATOS DA DIRETORIA

RETORNO GRADUAL
À medida que o GDF flexibiliza as normas de funcionamento dos diversos setores, a AMBr, com segurança,
acompanha. Nos últimos meses, as churrasqueiras foram liberadas (com limite de frequentadores), convites
para familiares próximos foram liberados, as piscinas voltaram a funcionar e alguns eventos presenciais (com
limite menor de pessoas), também. "Aos poucos, estamos retomando as atividades, mas sem negligenciar",
garante o presidente da AMBr, Ognev Cosac.
Todas as flexibilizações seguem as normas de segurança como: distanciamento social, aferição de
temperatura, disponibilização de álcool em gel e o uso obrigatório de máscaras.

PRESENTE PARA OS ASSOCIADOS
A AMBr agora tem duas bicicletas disponíveis. Os fãs do pedal podem aproveitar
os equipamentos e os espaços da área de lazer para pedalar. Basta ir até à
secretaria e solicitar. Mas as bikes devem ser usadas somente nas dependências
da instituição. Não é permitido pedalar fora da AMBr.

CONTAGEM
REGRESSIVA...
Estamos na reta final para a
entrega dos novos espaços.
A quadra poliesportiva, o
salão de jogos e a sauna
estão recebendo os retoques
finais. Logo mais esse
presente estará à disposição
dos associados.

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POSSE

SOLENIDADE MARCA A POSSE DA
NOVA DIRETORIA
No dia 20 de outubro, uma solenidade simbólica,
realizada no Salão Prime, deu posse à nova
diretoria da AMBr. O grupo, liderado pelo atual
presidente, Ognev Cosac, será responsável pela
gestão da Associação Médica de Brasília no triênio
2021-2023.
Antes da assinatura da ata de posse, os membros
do Conselho Deliberativo se reuniram para
deliberações como: apresentação do balanço
financeiro de janeiro a junho de 2020; parecer do
Conselho Fiscal e eleição do Conselho Fiscal para
os próximos três anos.
Por unanimidade dos presentes, os novos membros
do Conselho Fiscal foram eleitos e empossados.
Os Conselheiros Fiscais Titulares são: Dr Frederico
Figueiras Pohl, Dr Tulio Marco R. da Cunha e Dr
Antônio Paulo Filomeno. Para suplentes, os nomes
escolhidos foram: Dr Fábio Ferreira Amorim, Dr
Roberto Rodrigues de Souza Filho e Dr Silvio
Ferreira da Silva.
Em seu discurso, o presidente reeleito, Ognev
Cosac, observou que a nova gestão conta com
mudanças de função e novos componentes. Estes
vêm substituir diretores que, exclusivamente, não
quiseram continuar. Cosac finalizou desejando a
todos um pleito harmônico e responsável: “Desejo
que neste novo pleito tenhamos a mesma harmonia
e uma nova tonificação das nossas tradições e
compromissos”.
Além
da
diretoria,
estiveram
presentes
representantes de entidades médicas do DF como
o Conselho Regional de Medicina, Sindicato dos
Médicos, Academia de Medicina, e representantes
das Sociedades de Especialidades.
Após as assinaturas, todos foram convidados a
degustar o buffet servido pelo Coffe Break.
*Devido à pandemia do Coronavírus, a cerimônia
contou com um número reduzido de convidados e
foram adotadas as devidas medidas de segurança.

Imagens: SindMédico-DF e Natalia Rabelo

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MEDICINA E ARTE

O Desjejum
do Cego
A Espanha teve o privilégio de ser a pátria
de pintores famosos como Diego Velázquez,
Francisco de Goya, Joan Miró e Pablo
Picasso, o criador da histórica e dramática
tela Guernica (1937). Este quadro a óleo,
atualmente no Museu Nacional Rainha Sofia,
em Madri, mostra a cidade de Guernica
sendo bombardeada durante a Guerra Civil
Espanhola.
Pablo Ruiz Picasso nasceu em 1881, na
cidade de Málaga. Foi o primogênito de
Maria Picasso y López e José Ruiz y Blasco,
um esforçado professor de artes plásticas.
Com o pai aprendeu muito cedo a desenhar
e pintar, tanto que aos dezesseis anos de
idade presenteou o mundo com um belíssimo
óleo sobre tela intitulado Ciência e Caridade
(1897).
Esse quadro mostra uma mulher acometida
de tuberculose. Ao lado da sua cama,
um médico verifica o pulso da enferma.
No ambiente, ganha destaque uma freira
segurando em seus braços uma criança.
Como o jovem Picasso não tinha dinheiro
para pagar a modelos, pediu ajuda a sua
família. Maria Dolores Ruiz Picasso, sua irmã,
posou como a paciente, e seu pai, José Ruiz,
fez-se de médico. Uma conhecida do artista
fez-se passar como uma irmã de caridade, e
a filha de uma mendiga que pedia esmolas
nas proximidades da casa de Picasso posou
como Maria de la Concepción, compondo
assim uma bonita homenagem do pintor à
sua irmã, por ele chamada carinhosamente
de Conchita, e que havia morrido de difteria
aos quatro anos de idade. Sem dúvida, ele

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O Desjejum do Cego

demonstrou com arte o imenso carinho que
tinha por Concepción.
Por volta de 1899, Picasso conheceu em
Barcelona o pintor Carles Casagemas.
Tornaram-se grandes amigos e passaram a
trabalhar juntos. Mudaram-se para Paris e, no
charmoso bairro de Montmartre, próximo à
Igreja de Sacré-Coeur, dividiam um atelier.
Corria o ano de 1901 quando ocorreu uma
tragédia, ou seja, o suicídio de Casagemas.
Picasso, mergulhado em profunda tristeza e
solidão, começou a pintar seus quadros em
monótonos tons de azul.

Essa chamada fase azul, que precedeu as fases rosa e cubista, durou de 1901 até 1904 e teve
como temas preferidos a cegueira, mendigos e pessoas carentes em geral. Dentre os quadros
da fase azul que se destacam por enfocarem doentes, estão O Desjejum do Cego (1903), O
Velho Guitarrista (1903) e A Celestina (1904).
O Desjejum do Cego, que integra o acervo do The Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque,
mostra um homem com um olho fundo na órbita, o que pode sinalizar que a cegueira talvez
tenha sido decorrente de um trauma ocular.
Uma pintura que chama à atenção no Instituto de Arte de Chicago intitula-se O Velho Guitarrista.
Uma provável janela parece emoldurar a cabeça do músico. O olho escavado na ossatura
saliente da face e os músculos trapézio e esternocleidomastóideo se destacando em um

O Velho Guitarrista

pescoço tão magro quanto o resto do corpo
podem sugerir ter sido o velho acometido de
cegueira diabética.
Quando a fase azul estava chegando ao fim,
Picasso pintou um instigante quadro que veio
a ser chamado A Celestina. Esta foi a grande
personagem da tragicomédia de autoria do
escritor espanhol Fernando de Rojas (14761541), encenada pela primeira vez ao fim do
século XV. A ela Calisto recorreu, pedindo
ajuda para ganhar o amor de Melibea.

A Celestina

esse óleo sobre tela presentemente no
acervo do charmoso Museu Picasso, sediado
em Paris. Picasso e Carlota moravam na La
Rambla, uma conhecida e animada rua de
Barcelona.

A vizinha de Picasso, chamada Carlota Valdívia,
foi quem posou como a cega Celestina para
Armando J. C. Bezerra
Médico

Simônides Bacelar
Médico

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ARTIGO

O ESTRESSE TÓXICO
REFORÇA A PANDEMIA
Por Dr Dioclécio Campos Júnior

O medo, o pânico e a ansiedade são sintomas principais
de um distúrbio que favorece o avanço da pandemia.
São manifestações indicadoras de enfermidade que
contribui com a propagação da covid-19. Trata-se do
estresse crônico, denominado estresse tóxico, que
está presente no organismo da maioria das pessoas.
Pode ser mais intenso nas sociedades de países menos
desenvolvidos, cujo desequilíbrio social e educativo
agrava o preocupante quadro sintomático.
O estresse é, por definição, mecanismo fisiológico
que, graças ao aumento da produção de cortisol,
adrenalina e glicose, assegura ao indivíduo a energia
para superar impactos desfavoráveis. São episódios
passageiros, depois dos quais o organismo retoma a
harmonia indispensável e tais substâncias voltam ao
valor normal. Quando, porém, as ações estressantes se
tornam crônicas, arrastando-se por tempo prolongado,
o sistema protetor do organismo entra em exaustão.
Em várias observações formuladas de longa data, o
estresse crônico é a doença considerada como o mal
do século. Resulta de cenários ambientais adversos e
persistentes, que desencadeiam as reações fisiológicas
imediatas no organismo das pessoas expostas a fatores
estressantes. Contudo, a ação persistente ou repetitiva
dos agentes estressores mantém taxas sanguíneas
elevadas de cortisol e adrenalina, que podem causar
aumento da pressão arterial, acidente vascular cerebral
e coagulação intravascular, entre outros distúrbios.
Com os níveis anormais do cortisol, são desencadeadas
alterações múltiplas que produzem no organismo
a maioria dos sintomas do mal do século, entre os
quais a ansiedade, o pânico e o medo. Ademais, está
comprovado que o estresse tóxico reduz a capacidade
do sistema imunológico, diminuindo a resistência a
infecções bacterianas e virais.
A abordagem dos conceitos fisiológicos mencionados
fundamenta a argumentação de que grande número
dos
organismos
infectados
pelo
coronavírus
corresponde a vítimas do estresse tóxico, incapazes
de resistir imunologicamente à contaminação viral em
causa. Nesse contexto, as perspectivas de manutenção
do organismo harmônico e equilibrado tornam-se
paulatinamente obscuras. É desafio cada vez maior e,
portanto, de difícil superação.
Um dos exemplos é o papel negativo, de incontestável
evidência, desempenhado pelas modernas tecnologias
de comunicação. As populações tornam-se reféns do
verdadeiro bombardeio de mensagens que circulam
diariamente, na maioria das vezes sem conteúdo
construtivo em favor da sociedade.

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Contradições prosperam a olhos vistos; posturas críticas
e radicais tomam conta do espetáculo, imbuídas de
intuitos demolidores; dados e números distorcidos são
compartilhados sob o pretexto de justificar posições
inconsistentes; notícias infundadas sobre os mais
diversos assuntos convencem incalculável número
de participantes das redes sociais; e verdadeiros
dogmas são criados estrategicamente para dominar
a opinião pública. Esse cenário desumano contagia a
mídia tradicional, que perde terreno e abandona os
princípios morais e éticos básicos a serem mantidos
como referência indispensável para essa modalidade
de comunicação pública.
No panorama atual, a atmosfera reinante é poluída
por agentes estressores que desencadeiam efeitos os
mais nocivos sobre a mente da população, tornando-a
vítima do estresse tóxico que reduz a resistência
imunitária e amplia largamente a vulnerabilidade
nosológica. Notícias, vídeos, informações infundadas e
imagens contundentes sobre os avanços da pandemia
geram os sintomas de medo, pânico e ansiedade.
Vai sendo assim demolido o alicerce pacífico da
cidadania, que requer respeito à verdade e iniciativas
coerentes em favor de uma consciência coletiva capaz
de contribuir para o bem-estar físico, mental e social
de todos e de cada um dos cidadãos.
Outro desajuste que se opõe ao benefício populacional
é a politização das medidas adotadas para a reversão
da pandemia no país. Interesses político-partidários
desprezam a lógica científico-sanitária, que deveria
fundamentar as ações destinadas a evitar a propagação
do vírus. Só assim seriam tomadas iniciativas para a
redução do mal do século, que torna os brasileiros
suscetíveis aos alarmantes agravos infecciosos.
* Médico, professor emérito da UnB, ex-presidente da Sociedade Brasileira de
Pediatria, membro titular da Academia Brasileira de Pediatria, presidente do
Global Pediatric Education Consortium (Gpec).

DIA DO MÉDICO

CÂMARA LEGISLATIVA FAZ
HOMENAGEM À CLASSE
Encontro remoto foi realizado no dia
19 de outubro e transmitido ao vivo
pelo canal da CLDF no Youtube

A Câmara Legislativa do Distrito Federal também
prestou a sua homenagem aos médicos. Em
comemoração ao dia 18 de outubro, a Casa
promoveu uma audiência pública remota com
representantes legislativos e médicos da capital.
O enfrentamento à Covid-19, a importância do
SUS e os desafios diários dos profissionais de
Saúde foram alguns dos temas levantados.
A deputada autora da iniciativa, Arlete Sampaio
(PT), médica sanitarista, ressaltou a importância
de homenagear os médicos, principalmente no
período de pandemia, como forma de reconhecer
a dedicação da categoria. "Eu espero que, como
resultado deste sofrimento enorme que todo
o povo brasileiro está vivendo hoje, fique essa
compreensão da necessidade fundamental de
fortalecer o nosso SUS e valorizar os profissionais
de saúde", afirmou.
Na ocasião, o presidente da Associação Médica de
Brasília, Ognev Cosac, observou que a pandemia
deu novo protagonismo à classe: "Mais do que
nunca ficou provada a absoluta necessidade e
importância da nossa profissão. A população
voltou a dar valor ao conhecimento médico, da
especialização médica e da boa formação médica.
É essa chama de esperança que precisamos
manter acesa. Se pelo sofrimento nos requisitam,
também é pelo sofrimento que haveremos de
resgatar de forma plena o respeito e a valorização
que tanto almejamos".

Também estiveram presentes outros representantes da
classe médica como o presidente do Sindicato dos Médicos
e da Federação Nacional do Médicos, Gutemberg Fialho; o
presidente do Conselho Regional de Medicina, Farid Buitrago;
o médico sanitarista da Fiocruz Cláudio Henriques e as médicas
infectologistas do Hran, Joana D'Arc Gonçalves da Silva e Ana
Helena Britto Germoglio, para serem homenageadas em nome
de todos os médicos e relatarem a luta diária "na linha de
frente" contra a Covid-19.
Fonte: Site da CLDF

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EDUCAÇÃO CONTINUADA

OUTUBRO ROSA É TEMA
DE PEC
No dia 30 de outubro, encerrando o outubro
Rosa, a Associação Médica de Brasília aproveitou
o momento e promoveu mais uma edição do
Programa de Educação Continuada (PEC)
relacionado à prevenção do câncer ginecológico.
Com o tema “Quanto Antes Melhor”, especialistas
se reuniram remotamente para tratar de assuntos
como rastreamento do câncer de mama, uso da
tomossíntese, câncer no endométrio, câncer de
ovário, inteligência artificial, entre outros. A aula foi
transmitida ao vivo pelo canal da AMBr no Youtube.
O PEC teve o apoio da Sociedade de Ginecologia e
Obstetrícia (SGOB) e da Sociedade de Mastologia,
além dos seus patrocinadores Anadem e Grupo
Elo. Entre os convidados estiveram: o presidente
da AMBr, Dr Ognev Cosac; a Dra Maria Aparecida
de Queiroz; a Dra Lucimara Veras; a médica
Radiologista, Dra Janice Lamas; a radiologista Dra
Daniela Gusmão; Dra Fabiana Lisboa; Dr Etelvino
Trindade; Dr Leonardo Campbel; Dra Renata
Sandoval; Dra Lucimara Vera; Dr Vinicius Lopes; Dr
Mauros Passos e a Dra Walquiria Primo.

CAMPANHA
SOLIDÁRIA

A aula completa está disponível no canal
da AMBr no Youtube.

O câncer não espera! Por isso, durante todo o
mês de outubro a AMBr convidou associados e
amigos para um ATO DE SOLIDARIEDADE. O
objetivo foi arrecadar cestas básicas, que serão
doadas a mulheres com câncer, em situação de
risco, acolhidas por abrigos femininos e hospitais
públicos do DF.
Para a diretora Social e de Atividades Culturais
da AMBr e responsável pela iniciativa, Dra Maria
Aparecida de Queiroz, o objetivo da campanha
é reforçar às mulheres que não só no câncer de
mama, mas em diversos cânceres ginecológicos, a
prevenção é a melhor escolha.

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ACADEMIA DE MEDICINA

O CONCERTO
Por Dr José U M Calegaro

Na comemoração dos 30 anos da criação da Academia
de Medicina de Brasília houve um concerto no Cine
Brasília, em 08 de outubro de 2019, regido pelo maestro
Cláudio Cohen. A abertura foi efetuada com as Danças
Polovetsianas, da ópera “Príncipe Igor”, de Alexander
Borodin (1834-1887), médico (o que poucas pessoas
sabem) e químico. Ele fazia parte de um seleto grupo
de compositores russos (cinco) do século XIX, que
tinha por princípio adotar temas nacionalistas como
fundamento da criação musical, ligados ao patrimônio
folclórico. Esta peça foi, inclusive, terminada por Nicolai
Rimsky-Korsakov, outro membro do grupo. Mas a beleza
harmônica dessas danças, que se transformaram numa
composição erudita das mais conhecidas e tocadas no
meio musical, é notória e deve ser ouvida, especialmente
quando bem conduzida. Remete o ouvinte às estepes
da Rússia central, com embates do príncipe com os
polovetzki, num embalo rítmico sensacional. Borodin
ainda lutou muito por causas sociais, como maior
emancipação da mulher russa, criando até uma escola
de medicina para esse sexo.
O programa subsequente foi fundamentado em criações
do século XXI, isto é: um salto de dois séculos na sequência
do concerto. A primeira suite foi” Kazio”, do compositor
americano David John Roche, que literalmente significa
determinação, conceito que foi o fundamento para
essa peça. A segunda,” Faucet” do chinês Yimin Wu
pareceu mostrar a modificação que esse país atravessa
atualmente.” Polaire” mostrou a calma pairando sobre
o ártico, onde a vida transcorre lentamente, com sua
beleza e magia infinitas do francês Christian-Frederic
Bloquert. Randy Stagich, americano, escreveu uma
música de câmara nominada “As The Golden Hour
Passes”, com destaque para piano e saxofone, no estilo

contemporâneo mesclado ao romântico. O japonês
Dai Haraguchi no haiku de quatro breves movimentos
evidenciou todo o estilo livre de”FourHaiku”. A reflexão
que José Eduardo Hernandez Lopez, mexicano, faz com
“Xul” expõe a detenção sofrida na fronteira americana
à espera de extradição, constituindo um libelo para
todos que se submeteram a esse processo humilhante. A
sétima apresentação do coreano da sul Young Jun Lee,
com a peça “Geworfenheit” define uma variação rítmica
de acentuada graça. “A Short Piece for Orchestra” do
chinês Liu Yizhang procura dar uma dimensão para o
poder da consciência humana, sem limitar a imaginação
do público. A “Symphony nº1” de Jihwan Yoon também
coreano do sul, mostrou seu segundo movimento com
andamento de sherzo, composição essa de 2018-2019.
O concerto foi encerrado por “Reef” do americano Mark
Lackey peça de sonoridade rítmica que exibe linhas
líricas fundamentadas no poder, beleza e fragilidade do
ecossistema submarino.
O programa variou entre um clássico do século XIX
(sugerido pelo presidente Acadêmico Marcus Vinicius)
para audições contemporâneas do século XXI. O aspecto
interessante foi a première mundial em Brasília, das dez
últimas composições, com a presença do seus autores.
Essa foi a oferenda que Cláudio Cohen, brasiliense da
gema, nascido ocasionalmente em Belém do Pará,
desenhou para o trigésimo aniversário da AMeB.
Possivelmente não tenhamos outra oportunidade, no
decorrer de nossas vidas, de comparecer a outro evento
com desfrute sinfônico tão fantástico e significativo
como esse. Só nos resta dizer” maestro”: obrigado, muito
obrigado pela audição criativa, histórica e definitiva que
nos proporcionou e, mais ainda, pela condução segura e
profissional que efetuou.

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Setembro | Outubro de 2020

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AO MESTRE COM CARINHO

COMO CONHECI
PESSOALMENTE O MAIOR
GÊNIO DA GINECOLOGIA
DO SÉCULO XX, O PROF.
KURT SEMM, O CRIADOR
DA LAPAROSCOPIA
Tudo começou na década de 1970, quando trabalhava no
HFA. Fui um dos fundadores desse hospital, tendo sido
contratado após o curso de títulos em outubro/1972.
Por curiosidade, comprei um atlas da Laparoscopia,
uma nova técnica cirúrgica que estava sendo criada e
fiquei extremamente impressionado com a riqueza de
detalhes que o atlas fornecia. Nesse mesmo ano, tomei
uma decisão- seria Laparoscopista.

Por Dr Roberto Cavalcante

quem me tornei amigo e, após um mês, ela me mandou
um convite para uma festa de aniversário dos EEUU.
Ao chegar à festa, notei a presença de vários médicos
famosos de Brasília, Dr. Lisboa, Dr. Laércio Valença, Dr.
João da Cruz, etc.
Estava também presente o diretor recém-empossado do
HFA, o Brigadeiro Afonso.

Tive, então, a idéia de escrever ao médico-cirurgião
alemão, Kurt Semm, e fiz uma carta em inglês, já que não
falava alemão.

Ao sermos apresentados, ele estranhou que um jovem
ginecologista estivesse convidado entre os caciques
médicos de Brasília e criou uma boa imagem de minha
pessoa.

Aí começaram as coincidências que me fizeram viajar
para a Alemanha.

Assim, duas semanas depois, fui mostrar-lhe o convite
do professor alemão.

Após escrever a carta, recebi uma cliente, esposa de um
diplomata- Marcelo Didier- encaminhada por um grande
amigo e colega, cirurgião plástico Dr. Luiz Gonzaga
Guimarães.

Ele gostou muito da idéia e prometeu me ajudar. Disse
que me pagaria o salário integral durante 3 meses e me
daria as passagens aéreas.

O diplomata estava sendo transferido para a Embaixada
da Alemanha e se ofereceu para levar minha missiva, que
seria encaminhada através do embaixador brasileiro.

Quase não acreditei, mas em 30 de junho de 1979, estava
embarcando com passaporte azul, em missão oficial do
HFA para a cidade de Kiel, perto do enorme porto de
Hamburgo, ao norte da Alemanha.

Assim, após 2 ou 3 meses, recebi a resposta do Prof.
Kurt Semm, dizendo que me aceitaria como estagiário
em sua famosa Frauenclinic (clínica ginecológica), em
KIEL, cidade ao norte da Alemanha, na Universidade
Christian Albrechts, fundada em 1665, famosa por ter
tido em seu quadro de professores ninguém menos de
que o obstetra Pfannenstiel, conhecido por qualquer
estudante de Medicina no Brasil e o célebre físico Max
Planck, Ex-Prêmio Nobel de Física, em 1918, o segundo
maior físico da humanidade depois de Albert Einstein.
Fiquei bastante eufórico, mas como conseguir recursos
para essa maravilhosa empreitada?
Aí ocorreu a segunda coincidência.

Ao retornar à Alemanha em 1946, trabalhou como
fabricante de ferramentas e começou seus estudos
médicos, recebendo seu diploma em 1951, em Munique.

Atendi, no consultório, a esposa do Secretário Geral
da Embaixada Americana, uma simpática japonesa de

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Fiquei hospedado no Hotel da Universidade, um belo
alojamento com um enorme jardim.

Aposentou-se em 1995 e mudou para Tucson, Arizona,
onde morreu em 2003, deixando 2 filhos.

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Conhecer pessoalmente
emocionante.

o

Prof.

Kurt

Semm

foi

Ele nasceu em Munique, sul da Alemanha, em 1927 e
morreu nos EEUU em 2003.
No final da Segunda Guerra Mundial foi convocado, aos
16 anos, pelas forças nazistas e tornou-se prisioneiro de
guerra soviético por um breve período de tempo.

Logo no primeiro dia, tive uma surpresa.
O professor me apresentou a sua sub-chefe, Dra.
Liselotte Mettler, e solicitou a ela que me mostrasse o
Hospital da Universidade.
O Hospital é de médio porte.
Logo me impressionei porque o Professor era um SemiDeus. Tinha estacionamento privativo, onde parava sua
Mercedes Benz, entrada privativa onde só ele podia
entrar, elevador privativo, sala privativa, vestiário e
banheiro privativos e várias secretárias.
Depois de algumas semanas, quando já tínhamos alguma
intimidade, me convidou para andar em seu avião
particular que ele mesmo dirigia- um avião pequeno, de
4 lugares. Na semana seguinte me convidou para velejar
em seu iate particular, de dois andares- uma beleza.

O médico Kurt Semm

Mas a surpresa ocorreu com a Dra. Mettler. Para conhecer
o centro cirúrgico entramos no vestiário e levei um susto
ao vê-la tirar completamente a roupa. Achei que havia
algum engano, mas depois constatei que o vestiário era
misto, para médicos e médicas. Evidentemente, essa
ideia não daria certo no Brasil.

O doutor Roberto Cavalcante
e o médico Kurt Semm

Nos 90 dias do meu estágio, o Professor realizava 2 a 5 laparoscopias por dia. Estava iniciando a cirurgia de gravidez
ectópica por Laparoscopia e demorava duas horas. Hoje, fazemos essa cirurgia em 45 minutos.
Atendia clientes da França, Japão, Uruguai, EEUU e de toda parte do mundo. Falava inglês, francês, espanhol e outras
línguas. Havia passeado por todo o mundo desde a selva amazônica até as pirâmides egípcias e Foz do Iguaçu.
Em outubro voltei ao Brasil e continuei trabalhando no HFA e no HMIB, com meu grupo de laparoscopistas, Joaquim,
Hitomi, Rildo e Rosali.
No HFA, incentivado pelo meu fantástico chefe Dr. Iege Wesgueber, excelente colega e companheiro, conseguimos
convencer o Diretor do HFA à época, Almirante Miguel de Siervi a comprar um laparoscópio de 50 mil dólares.
Convidamos o Professor Milton Nakamura de São Paulo para fazer um curso de laparoscopia e rapidamente passamos
a desenvolver a nova ciência em nossa clínica ginecológica.
Hoje, 50 anos depois de formado pela UFMG, sinto-me bem por ter ajudado a iniciar, juntamente com meu grande
amigo e colega Joaquim Lopes a maravilhosa técnica da Laparoscopia, sem dúvida uma incrível cirurgia.

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COMEMORAÇÃO

DIA DO
MÉDICO

Aos poucos, a Associação Médica de Brasília vem retomando
as suas atividades. E como outubro é um mês especial para
a classe, nada mais justo do que fazer deste período um
momento de união e celebração.
Com uma homenagem singela, no dia 18, os associados
foram recebidos com espumante, música ao vivo, entre
outras surpresas, que trouxeram um pouco de alegria a esses
profissionais e seus familiares.

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INOVAÇÃO E ADRENALINA NA
CORRIDA DO MÉDICO 2020
A Corrida do Médico deste ano foi um sucesso. E já que o
mundo pede reinvenção, aqui não foi diferente. A edição
2020 foi VIRTUAL. Às 7h do dia 11 de outubro, mais de 1
mil inscritos deram a largada na corrida para a saúde. Os
atletas fizeram seus percursos, previamente definidos, de
onde quiseram, evitaram aglomerações e garantiram a
adrenalina.
Da sede da AMBr, Mônica Nóbrega e William Bonder
apresentavam, ao vivo no Canal da AMBr no Youtube, todas
as emoções, detalhes e entrevistas com os convidados. A
Banda Magoo também marcou presença dando um show
à parte.
Parabéns, corredores!

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Setembro foi mês de Long Live Rock na Associação Médica de Brasília. E como ocorre toda última sextafeira do mês, um show tomou conta do auditório do Centro de Atividades da AMBr e foi transmitido, ao vivo,
pelo canal da AMBr no Youtube. Sob o comando de Dorinha Gonçalves, a live teve a apresentação da Banda
Magoo, que trouxe sucessos de Queen, Guns N’ Roses, The Cure, entre outros artistas consagrados. De casa,
o público mandava o seu "alô" em clima de Rock.

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DIA DE VISITA NO

HOSPITAL
Essa pintura se chama “Dia de visita no hospital” e,
além de belíssima, é cheia de significados.
O autor, Henri-Jules Jean Geoffroy (1853 – 1924)
(ou simplesmente Géo), trabalhou em estreita
associação com as instituições de proteção à
criança que surgiram no final do século XIX na
França. Ele produziu ilustrações para o Ministério
da Educação e para o puericulturista Gaston Variot,
incentivador do aleitamento materno e da proteção
à infância.
Geoffroy se dedicou a pintar inúmeros quadros
sobre a infância, lembrando que esse é um conceito
surgido na modernidade. Até o século XVII, a
mortalidade infantil era tão elevada que as crianças
não eram propriamente socialmente reconhecidas
como “pessoas”. Na arte, por exemplo, raramente
eram representadas nos “retratos de família”.
Foi na segunda metade do século XIX que medidas
sanitárias de amplo alcance (vacinação em massa,

Dia de visita no hospital (Le Jour de la visite à l’hôpital) (1889).
Henri Geoffroy. Óleo sobre tela, 950 x 1200 cm. Musée d’Orsay,
Paris.

o soro anti-diftérico, a noção de contágio, cuidados
nutricionais) começaram a exercer grande impacto
nas sociedades, diminuindo a mortalidade infantil.
Inúmeras instituições de amparo à criança foram
surgindo.
Geoffroy captou, por meio de suas obras, esse novo
entendimento de que a infância deveria e precisava
ser protegida.
Em “Dia de visita no hospital” o pintor escolheu
retratar um pai visitando o filho visivelmente doente.
Essa escolha não é aleatória: ele está mandando um
recado.
Invariavelmente, quase todos que cuidam de
familiares doentes são mulheres. Nos hospitais de
hoje, quase todos os acompanhantes são mulheres.
Quanto mais no século XIX.

Por Dr Jordano Araújo
DO NASCIMENTO, Cláudia Terra; BRANCHER, Vantoir Roberto; DE OLIVEIRA, Valeska Fortes.
A construção social do conceito de infância: algumas interlocuções históricas e sociológicas.
Revista Contexto & Educação, v. 23, n. 79, p. 47-63, 2008.
HUBERT, Christiane. Unpeintre de l'enfanceauxdébuts de lallleRépublique: Jean Geoffroy.
Carrefours de l'education, n. 1, p. 95-112, 2006.

Então, preocupado com o cuidado com as crianças,
principalmente as crianças pobres, ele mostra que o
pai também precisa cuidar, que a responsabilidade
também é dele. A condição social se faz óbvia pelas
roupas e pela magreza do pai, cujo rosto não é
mostrado, mas claramente assume uma postura de
preocupação e cuidado.
Eu acrescentaria que o cuidado com as crianças é
mais do que um dever para os pais (e isso envolve
mais do que fornecer caderno e feijão): é um
privilégio e uma oportunidade para despertar os
melhores sentimentos em qualquer homem atento.

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A segunda-feira (12 de outubro) foi mais colorida que o normal na AMBr. Mesmo sem a tradicional festa de
Dia das Crianças, a área de lazer foi tomada por risos, brincadeiras e muita alegria. E, claro, a Associação
Médica de Brasília não poderia deixar esta data tão especial passar em branco. Para aliviar o calor, picolés a
vontade para a meninada. Pipoca e algodão-doce também adoçaram a manhã dos pequenos.
Lembramos que todas as medidas de segurança e higienização foram tomadas. Nossas equipes usavam
máscaras, luvas e higienizavam as mãos e equipamentos a cada atendimento.

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Ela sonhava tocar harpa. Mas a falta de professores em
Brasília a levou para outro instrumento: o piano. “Aos
14 anos já tocava muito bem e fazia aulas 3 vezes por
semana. Minha formação sempre foi clássica, atrelada
à teoria musical, na qual me formei aos 16 anos”, conta
a DOUTORA ROBERTA TEIXEIRA TALLARICO, médica
intensivista.
Para ela, música representa calmaria: “Me traz
tranquilidade. Em meio ao caos das UTIs, durante os
piores meses da pandemia, voltar para casa e sentar ao
piano era o que me trazia de volta a um mundo onde
existe esperança e existe o belo, deixando de lado a dor,
o sofrimento e a morte, que passaram a fazer parte mais
ainda do meu dia a dia no trabalho”.
Com a escolha pela medicina, aos 18 anos, o piano foi
deixado de lado. Na época, a futura médica precisava
treinar de 4 a 6 horas por dia, então era praticamente
impossível conciliar com os estudos para o vestibular.

Realmente existe
paz ao se desligar
de tudo e ouvir o
que a música tem
a dizer

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Já na faculdade, fez parte de um grupo musical que
se apresentava anualmente no Sarau da ESCS, onde
cantava. Mas, novamente, o piano não fazia parte dos
planos. “Este ano, durante os primeiros casos de COVID
no meu hospital e devido ao isolamento social, resolvi
fazer algo por mim e isso resultou na compra do meu
piano”, orgulha-se.
“A música, para mim, serve como uma conexão com
algo maior, muito mais profundo. Quando estou tocando
é como se nada mais existisse além de mim e o piano.
Realmente existe paz ao se desligar de tudo e ouvir o
que a música tem a dizer. Não sei quantas vezes chorei
enquanto tocava uma música, por sentir a profundidade
da mensagem de cada nota”, finaliza.

MÉDICO SEM JALECO

MEDICINA & ARTE

Medicina e arte andam lado a lado e é nessa premissa
que o futuro doutor, VICTOR GIACOMINI, se apegou para
conciliar a árdua rotina de um estudante de medicina e a
leveza de quando senta ao piano. A paixão pela música
veio cedo e a infância já sinalizava que, de alguma maneira,
a arte o acompanharia ao longo da vida. Aos 8 anos, o
instrumento escolhido foi o violão. Mas com o dia a dia
cheio de responsabilidades, a atividade foi deixada para
outro momento.
A medicina veio tempos depois com o objetivo de
proporcionar qualidade de vida e fazer o bem. Mas o que
o passar dos anos mostrou para Victor é que bem mesmo
faz a música para ele. “Com o tempo percebi a relação da
medicina com a arte. Hoje, entendo que não há apenas
uma relação, mas a medicina e a ciência intrínseca a ela
são, por si só, arte”.
Cursando o 9º Período de medicina na Uniceplac, Victor
conta que criou um elo muito forte com a ortopedia já no
início do curso, por meio do médico que trata a avó, Dr.
Lúcio Gusmão: “Desde então entendo a medicina não só
como qualidade de vida, glamour ou resolver problemas.
Entendi a beleza que existe em tirar ou simplesmente
amenizar a dor de alguém”.

Piano da Associação Médica de Brasília

UM MOMENTO DE
RELAXAR

Apesar dos anos longe da música, o futuro doutor garante
não ter abdicado dela em função da medicina: “A medicina
também é uma forma de arte. E a música nunca foi um
empecilho para as minhas atividades diárias, pelo contrário!
O piano não apenas se tornou meu hobbie, como também
me ajuda a manter o foco na rotina, nas pesquisas e no
esporte; não existem monumentos sustentados por um
único pilar, e assim também funciona na arte”, acredita.

A opção pela medicina veio ainda pequena. O apoio
dos pais, claro, foi incondicional. Já o desejo de tocar,
constantemente, esteve ali, falando ao pé do ouvido.
“Sempre gostei de música. Estudei piano, acordeon e
violino um pouco de cada antes de entrar na faculdade
de Medicina. Com a dedicação aos estudos, na faculdade
me afastei dos instrumentos”, lembra a PEDIATRA
MARIA DAS DORES LOPES.
Formada em Salvador, a especialista em doenças
tropicais, hoje aposentada, aproveita o tempo livre com
seus três instrumentos musicais: “Tenho-os em casa
somente para me distrair”.
A familiaridade com os instrumentos não é mera
coincidência. De acordo com a doutora Maria das Dores,
seu pai tocava, quando rapaz, em uma filarmônica. Além
dele, outros familiares fazem parte do time: “Tenho
um sobrinho que toca sax, o Bruno Medina. Uma irmã
e uma sobrinha também tocam piano. Meu neto mais
velho, Yann Medina, toca e canta (está nas redes sociais).
Fico muito feliz por ter estimulado o Yann e me delicio
ouvindo-o tocar e cantar. Na minha idade a música serve
para relaxar”, acredita.

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MÉDICO SEM JALECO

TALENTO RECONHECIDO
A influência pelo piano veio de dentro de casa. Ainda
criança, o DOUTOR MILTON TRINDADE já tinha aptidão
para tal: “Minha mãe tocava. Tínhamos um piano em
casa e aos 9 anos comecei tocando no dela, de ouvido,
uma música chamada Marcha Soldado, com um dedo só.
Depois acrescentei, aos poucos, acompanhamento”.
O pai, logo percebeu que ali havia uma um talento: “Ele
ouviu e decidiu me colocar no Conservatório Carlos
Gomes para aprender por partitura. Eu nunca gostei.
Achava monótono, repetitivo, enfadonho, a professora
era arcaica e muito rabugenta. Eu acabava pedindo para
ela tocar as músicas 3 ou 4 vezes e as tirava de ouvido.
Olhava para a partitura como se estivesse lendo”. O feito
dura até hoje: “Eu toco somente de ouvido. Não leio
partituras”.
Dermatologista, o segundo filho de oito irmãos conta que
a medicina veio como uma forma saudável de concorrer
com o primogênito da família (a quem tanto admirava),
mas logo que se encantou pela profissão a concorrência
foi esquecida: “Aos 14 anos meu irmão decidiu que faria
o curso científico para medicina (era o segundo grau da
época), e eu também decidi antecipadamente, embora
tivesse só 13 anos. Assim foi. Aos 17 anos fiz o vestibular
e quando fui cursando a faculdade fui me apaixonando
pela profissão”.
“Costumo dizer que tocar um instrumento nos aproxima de Deus. Nunca toquei profissionalmente, mas já toquei com
diversos músicos, alguns muito famosos, e gravei participação em 2 CDs. Toquei em rádio, e até no teatro Nacional de
Brasília com a sala lotada. Nosso grupo nessa noite foi aplaudido de pé, claro que não por minha causa, mas porque eu
acompanhava o grande flautista Carlos Poyares, já falecido".
Orgulhoso, ele conta que a influência tem seguido as gerações: “Minha filha toca piano. Meu neto está aprendendo. Meu
filho toca diversos instrumentos. Meu irmão mais novo é baterista e o logo acima toca piano. O outro, um ano mais novo
que eu, também costumava 'arranhar' no piano. Meu irmão que mora aqui em Brasília sempre faz o rítmo em nossas
serestas”, diverte-se.

Tocar, para mim, é diversão, relaxamento,
prece e terapia. Quem toca um instrumento
nunca está só

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MÉDICO SEM JALECO

DESEJO DE INFÂNCIA
Quando criança, o médico ginecologista e obstetra, DR JOSÉ GATO NETO, mantinha dois anseios: ser
médico e tocar piano. Ele conta que não sabe ao certo em que momento a medicina foi uma opção “Não
sei porque escolhi. Não havia na família nenhum médico”, recorda.
A música, sempre foi levada a sério pelo doutor. Com a ajuda de uma professora do interior onde morava,
ainda pequeno, ele iniciou o ofício que cultiva ainda hoje: “Iniciei meu aprendizado com uma professora
de cidade de interior que ensinou pouco. Depois, já na adolescência, com outra professora retomei os
estudos durante 6 anos. Mas logo fui estudar em outra escola e não conseguia conciliar horários”.
Passados os anos, o doutor
viu a necessidade de voltar
aos estudos: “Só retomei os
estudos em 2008. Quando
fazia especialização em
musicoterapia, uma colega
de curso me incentivou e
comecei do zero a fazer
curso em um conservatório
em Taguatinga. Agora,
não fosse a pandemia já
estaria formado. Aguardo
terminar para poder fazer
meu recital de formatura”.
Orgulhoso, ele afirma:
“Considero um grande
feito meu com minha idade
chegar onde cheguei no
estudo de piano, foram 11
anos”.

Pra mim é um momento de lazer, de
relaxamento, de expor emoções

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Os ex-presidentes da AMBr Dr Mestrinho, Dr Lairson Rabelo, Dr Ranon Domingues, Dra Ivonette Santiago e Dr Luciano Carvalho prestigiam a festa e reeleição do Dr Ognev Cosac

A comemoração do mês do médico teve um
sabor diferente. Os sorrisos mascarados e os
cumprimentos à distância não diminuíram em nada
a alegria e o prazer de estarem todos ali, na casa do
médico, comemorando a vida, as lutas e as vitórias
deste que pode ser considerado um dos anos mais
desafiadores para a categoria.
Em cada detalhe era possível identificar o cuidado
e a responsabilidade com o momento. As mesas
mantinham uma distância nada convencional, as
máscaras se tornaram itens obrigatórios e o álcool
em gel estava em todos os cantos.
O Coffee Break Buffet, parceiro antigo da casa,
mostrou a que veio com o cardápio de churrasco,
costelão, porco no rolete, saladas, entre outros. A
música ficou por conta da Banda Samba 10 e da

dupla sertaneja Ricco& Rony.
Em seu discurso, o presidente da AMBr, Ognev
Cosac, ressaltou que aquele era um momento para
várias comemorações”: Não só pelo Dia do Médico,
que passou sem seu tradicional baile de gala, mas
também pelos novos espaços da AMBr; pela luta
incansável dos médicos que atuam na linha de
frente contra o Coronavírus e pela vitória da Chapa
2 na Associação Médica Brasileira".
Por fim, alguns associados comandaram o palco
de apresentações. A cardiologista Roberta Farias
deu um show à parte ao cantar na companhia da
banda Samba 10. O ex presidente, Lairson Rabelo e
o associado Zé Costa também deram uma pequena
amostra de seus talentos, declamando um belíssimo
poema e tocando violão, respectivamente.
Imagens: Alex Oliveira Cruz e Matheus de Paula Batista

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Dra Roberta Farias cantando

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Dr Raul Canal, patrocinador presente

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Colaboradores da AMBr junto ao presidente Ognev Cosac

Juventude Médica

Presidente da AMBr, Ognev Cosac

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Semeando
A cada dia a Associação Médica de Brasília fica mais bela. E essa beleza é certamente reforçada
pela enorme variedade de espécies botânicas nativas ou cultivadas ao longo dos anos.
O cirurgião bariátrico Dr Orlando Farias, membro da atual diretoria, é um dos associados para
quem essa riqueza natural não passa desapercebida.
Andando pela AMBr e fotografando, o médico iniciou uma catalogação das espécies. Foi
providenciada a compra de plaquinhas e assim, pouco a pouco, as árvores e arbustos estão
sendo identificados, oferendo-se ao encanto e conhecimento.
A cada edição traremos alguns desses registros. Acompanhe por aqui! Mas na sua próxima
ida à AMBr, desfrute desse museu natural, a céu aberto, e incentive as crianças e os jovens a
observarem também!

Pau-Ferro
Nome científico: CAESALPINIA LEIOSTACHYA
Origem: Brasil, nativa da Mata Atlântica
Jucá do tupi, yu’ká, “matar”. O nome é uma alusão a seu uso, pelos indígenas brasileiros, como
matéria-prima dos seus tacapes. “Pau-ferro” é devido à natureza de sua madeira e às faíscas e
ruído metálico produzidos por machados que se atrevem a cortá-las. Muito atingida por raios. As
folhas são perenes.
Escova de Garrafa
Nome científico: CALLISTEMON VIMINALIS
Origem: Austrália
Planta exótica, proveniente da Austrália. Perenifólia. As flores atraem muitos insetos polinizadores.
Pode chegar a 10 metros de altura. É de fácil cultivo, resistente ao sol pleno e pouco exigente
quanto ao solo.

Mandacaru
Nome científico: CEREUS JAMACARU
TUPI: MÃDAKA’RU (ESPINHOS AGRUPADOS E PERIGOSOS)
Origem: Semiárido Nordestino, Brasil
Uma planta cactaceae, sua flor se abre à noite, para ser polinizada preferencialmente por
morcegos e mariposas. Seu fruto (pitaya) é comestível, nutritivo e saboroso.

Ingazeira
Nome científico: : INGA LAURINA, INGAZEIRA, INGÁ
Origem: América do Sul
Existem cerca de 300 variedades. Muito utilizada atualmente na arborização no Distrito Federal,
devido à sua excelente adaptação ao meio urbano e à característica de manter suas folhas no
período da seca, oferecendo generosa sombra. Seus frutos são comestíveis.

Créditos: Orlando Pereira Faria

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Dorinha Gonçalves

Esta edição da Médico em Dia, nos
traz do mês de outubro a inspiração
para o tema. A própria capa,
igualmente, da-nos o mote. Eis que
assim, não poderia ser outro, senão
Casimiro de Abreu, nosso destaque
no POESIA CURA.
Sim! Casimiro, que nasceu na Barra
de São João - RJ, em 4 de janeiro de
1839.
Casimiro, cujo pai, desejoso de vêlo tornar-se um grande comerciante,
levou-o para a capital com apenas 13
anos, para trabalhar no comércio e
aos 14 para Portugal para completar
a prática comercial.
Casimiro que inicia lá, em terras
lusitanas, sua produção literária com
reconhecimento e louvor.
Casimiro, que volta ao Brasil em
1857, conhece diversos intelectuais,
fica amigo de Machado de Assis
- ambos com 18 anos e escreve seu
primeiro e único livro de poemas "As
Primaveras".
Casimiro, com versificação ingênua,
sua linguagem simples, cujos temas
mais frequentes eram a saudade
do Brasil, a casa paterna e o amor
- este porém, sem a densidade
característica de sua escola literaria.
Casimiro,
que
tornou-se
um
dos poetas mais populares do

Romantismo no Brasil, embora
somente depois de sua morte, com
numerosas edições de seus poemas,
tanto no Brasil, quanto em Portugal.
Casimiro, que com a vida boêmia
contrai tuberculose e morre aos 21
anos.

CASIMIRO, QUE SÓ
QUERIA SER... POETA!
Sugerimos a leitura de:

Meus oito anos

Saudades

Minh'alma é triste

Amor e Medo

Desejo

Dores

Berço e Túmulo

Infância

A Valsa

Perdão

Poesia e Amor

Segredos

Última Folha
Meus oito anos
Casimiro de Abreu
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

A vida – um hino d’amor!
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d´estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias de minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberto o peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

h t t p s : //c d n . p e n s a d o r. c o m /
img/authors/ca/si/casimiro-deabreu-l.jpg

Saudade dos tempos de criança...o
sentimento é recorrente e comum
à maioria das pessoas. A finitude
da vida reforça esse namoro com
o passado. Dai, as tantas vezes em
que nos pegamos lembrando de
brincadeiras, descobertas, costumes,
carinhos e até dos castigos da
infância.

Como são belos os dias
De despontar da existência!
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,

Revista Médico em Dia

Setembro | Outubro de 2020

43

Dr Allan Eurípedes Rezende Nápoli
AMPARO À CRIANÇA
Se virmos na rua crianças,
Em abandono total,
Procuremos ampará-las,
Afastando-as do mal.

Além, vemos a criança
A cair no crime atroz,
Pobres órfãos da bondade
Que não há inda em nós.

Logo aqui um pequerrucho,
Cheirando porção de cola,
Sem jamais ter frequentado
As bênçãos de uma escola.

Busquemos auxiliar
As crianças, dia a dia,
P’ra que possam, no futuro,
Ter a paz e a alegria.

Ali, um outro explorado
Por um adulto inconsequente,
Sem saber que a infância
É do porvir a semente.

Que Deus inspire as pessoas,
No amparo à criança;
O país que a protege
Terá sempre a bonança.

Dr Ronan Augusto
ÁRVORE
A vasta e alta copa ao céu
conduz meus olhos.
Aos
majestosos
galhos,
reverente eu vergo.
Em tal beleza, Deus é tudo que
eu enxergo.
A relva seca e crespa com meu
choro eu molho...
Eu vos saúdo, Árvore! Querida
irmã! Gigante!
A minha pequenez a vós,
humildemente, curvo.
Em vossa companhia - abrigo e
toldo vivo Eu quero estar agora, e sempre,
e a todo instante.
Sou pequenino e frágil frente ao
seu colosso!

44

Revista Médico em Dia

Setembro | Outubro de 2020

Que densa fronde verde a luz do sol
embarga.
Nem mesmo sou maior que a diminuta
baga
Que esconde as florestas dentro dos
caroços.
Estando, aqui, consigo, eu fico tão feliz!
Que de contentamento minha alma
berra!
Eu tiro meus sapatos. Ponho pés na
terra.
Enterro-me no solo junto a sua raiz...
Plantado assim, agora, surge uma
certeza:
Devo deixar um pouco a minha
humanidade
Quedar-me um tanto longe da minha
cidade
Casar-me novamente com a natureza.
(R.A.A.H.C. / 2020)

Dr Marco Antônio Vieira Paschoal
Infância
No quarto escuro, sob os lençóis,
Olhos fechados com força, ouvidos atentos,
Reinavam, ao redor, monstros, fantasmas, perigos tantos,
Rondavam-me encantos, males, bruxedos,
E a morte, emboscada em algum canto,
Negra Mortalha esvoaçante,
Foice nas mãos, sorriso enorme na boca descarnada.
Encolhido sob a tenda improvisada,
Eu não os via, mas os adivinhava.
Trago, da infância, alguns temores, alguma fantasia,
Que se tornaram a insegurança (e os sonhos) de cada dia,
A certeza de ser impossível defender-me
Com o frágil escudo da coberta,
Que não adianta fugir ou esconder-me,
Porque nada o mal espanta, nada a morte adia.

Pela passagem do dia das crianças, oferecemos ao público leitor a
participação da associada Maria Luiza.

Maria Luiza - 9 anos
Todas as cores
Se eu pudesse
Mudar as cores
Eu mudaria tudo.

Se eu quisesse
Poderia voar pois
É só imaginar.

O céu seria verde
E a grama azul.

Dê asas à imaginação
Pequeno ato grande
Ação.

Pena que é só
Imaginação pois
Ainda estou com o
Pé no chão.
Maria Luiza, 9 anos, poetisa. Ao lado do irmão João Pedro
e dos pais, Dra Melina Gontijo e Dr Thiago de Sá Oliveira

Revista Médico em Dia

Setembro | Outubro de 2020

45

Dr J. Vera Cruz Vianna
A Graciosa
Meu coração
é tão grande, que posso,
com emoção,
dividi-lo
em mais de uma porção,
mas à mesma mulher,
eles doados serão.
Para mais agradá-la,
carinhosamente,
eu a chamo:

Meu Presente;
Minha Eterna Adolescente;
Meu Primor;
Minha Flor;
Meu Amor;
Minha Linda;
Minha Airosa;
Minha Pequenina Graciosa.

Dr Allan Kardec R. Nápoli
A Esperança do Mundo
Nossa Criança de hoje
É um relicário de Luz;
E o Amor e a Disciplina,
São as chaves de Jesus.
A criança pede Luz,
Pede Amor para elevar-se,
Pede a Fraternidade,
Para poder escudar-se.
Todos pensamos em Deus,
O Pai que tudo Criou!
Nossa criança é o molde,
Que ontem nós revelou.
O Futuro é da criança!....
Amparada pelo Amor,
Nossa criança estará
De mãos dadas com o Senhor.

46

Revista Médico em Dia

Setembro | Outubro de 2020

Toda criança que Ama,
Que estuda e que aprende....
Tempo guiado no bem,
É lamparina que acende.
E que a Luz do Amor
Possa estar com os pais;
Nossa criança ocupada,
Terá Luz, cada vez mais!...
Quando a Mente e o Coração,
Pulsar junto da criança,
Em Amor para com todos,
O Mundo terá Esperança.

Dra Anna Beatriz Assad Maia
Oração

Morreu de Covid

Dá-me o gozo de respirar
No ritmo das ondas do mar
De um verão ameno
Em qualquer lugar

Mas, Tinha comorbidades,

Dá-me a calma de inspirar
A beleza de toda Criação
E expirar esperança
De dignidade, direito de todos
Que não me falte nunca o ar
De viver dias amenos
E não mais ver menos dias
Aos desvalidos
Que nenhum de nós consiga
respirar
Tranquilamente
Sem ter certeza de que todos,
Todos
Também o fazem
Que não me falte nunca o ar
Nem perca eu o passo
Ou o ritmo harmonioso
Da compaixão

Amou, foi traído,
Esperou, ninguém apareceu
Procurou, estava perdido.
Mas, tinha comorbidades...
Acordou, nunca desperto,
Trabalhou, não recebeu
Deveu, já estava pago.
Mas, tinha comorbidades...
Sonhou, levou um tombo,
Apostou, alguém blefou
Perdeu-se, foi resgatado.
Mas, tinha comorbidades...
Quem o amou, conheceu o
dano,
Ferida aberta, futuro interdito,
Encontro
desfeito...
enfim
imperfeito.
Mas, tinha comorbidade ...

Dá-me força, dá-me ar
Para que insista
Em inspirar justiça
E expiar iniquidades

Revista Médico em Dia

Setembro | Outubro de 2020

47

Dr Mestrinho
Temos uma criança dentro de nós
Dentro de nós somos todos crianças .
Chorosa ao nascer
Brinca sorrindo na criancice.
Na pureza de ser criança torna-se adolescente
Da um salto da aborrecência pra vida adulta
Adulterando, as vezes, o passado recente
A avalanche hormonal molda o humor
Transforma o puro no responsável
O caminhar dos anos é um
pula pula de obstáculos
O tempo nos ensina a vencer
No topo chegamos
O olhar no retrovisor reflete o tempo passando
Passou célere celebrando a transformação do preto pro branco
O viçoso no enrugado
O duro no pastoso
Caminhamos transformando mentes e corpos pra receber de volta
a criança que temos dentro de nós
A vimos crescer, crescer... preparando a partida.

Dr Bruno Ramalho de Carvalho
Para alguns,
a verdade que importa
é a que menos se enxerga
e mais se entorta.
O que seria do tudo sem o nada,
se este foi aquele na partida
e aquele será este na chegada?
O essencial
não se basta
no tangível
Cômodo é o bom senso,
que exala sua crença,
mas bom mesmo é o pretenso
a inspirar o que o outro pensa.
Prever o futuro é viver a dor
do não saber como será,
a insônia dos que adormecem
na eternidade do que não há.
À poesia, falar baixo sempre
convém:
sussurrados, os versos acabam
gritando no coração de alguém.

48

Revista Médico em Dia

Setembro | Outubro de 2020

Enfim, eliminar a dúvida
não é sobre ter certeza,
mas sobre tornar lúcida
a verdade que tem à mesa.
Das saudades possíveis,
a que dá mais dó
é aquela que a pessoa sente
de quem não tinha quando era
só.
O eu repousa transcrito
onde o íntimo se vê de fora:
no poema, ora medito.
Tragicômica brasileira:
são tempos em que os cegos
duvidam da cegueira.
A tristeza e o medo
furam as quarentenas
à revelia do algoz,
andam sem segredo,
afins das nossas antenas,
de mãos dadas, entre nós.

Dr Frederico Pooh
Amor oculto
Amor oculto é traição,
diz a sociedade.
Quem sabe das coisas do coração
E da felicidade?
Dar vazão a si mesmo não significa traição.
Dizem que traio
Amores a esmo.
Trocando de parceira
A vida inteira.
Não nego!
A verdade é que não posso trair-me.
Não é mesmo?

Dr Simônides Bacelar
A Raposa e o Galo
No campo, u’a raposa passa,
Saindo p’ra passear.
Também um galo passeia,
Sai pelo campo a cantar.

Sai depressa, velha amiga,
Sai pelo campo a correr,
Pois eu vejo cães ferozes
Que em trapos vão lhe fazer!

A raposa viu o galo,
Deu em cima p’ra pegar
Ele (o galo) pulou na árvore
Ela começa a falar:

A coitada da raposa
De tão esperta que é,
Quando o galo disse aquilo,
Botou a força no pé!

Meu galo, desça daí,
Que mal ninguém vai fazer!
Também sei disso — diz ele,
Mas eu não quero descer,

O galo, ficando livre,
Desce da árvore a sorrir.
Seu coração bate alegre,
Num canto, põe-se a dormir!

Que estou caindo de sono!
Venha cá, venha almoçar,
Eu nada vou lhe fazer
Venha cá, vamos casar!

Castro Alves, BA, 7 de
agosto de 1957
(Primeiras Poesias, Imprensa
Oficial da Bahia, 1959)

Mas o galo desconfia,
Ao alto galho subiu.
Para enganar a raposa,
Como sabe, ele mentiu:

Revista Médico em Dia

Setembro | Outubro de 2020

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CRÔNICA

Dr Mário César Guazzelli

Por Dr Mário César Guazzelli

MARIA FUMAÇA
Ao ouvir uma canção do Creedence:-“ Proud Mary”,
atentei-me para a letra, e tudo começou a fazer
sentido.
Proud Mary, seria supostamente, o nome do navio
no qual o personagem embarcou e se aventurou,
deixando aquela velha vida para trás.
A roda rodando, seria provavelmente aqueles
impulsionadores das popas dos navios antigos que
navegam no Mississipi.
Enquanto ouvia esse clássico, lembrei-me de uma
viagem pelo nordeste brasileiro que aconteceu na
longínqua década de setenta. Época quase tão
remota, quanto o ano de 1968, o apogeu da era
“Hippie”, ocasião do “nascimento” dessa canção.
Durante o mês de fevereiro de 1979, após percorrermos
grande parte dos estados do Nordeste, chegamos
em um sítio arqueológico chamado Sete Cidade, no
estado do Piauí.
Ali, conhecemos um grupo de viajantes com os quais,
aventamos a possibilidade de retornarmos de barco
pelo Rio São Francisco, visto que, fortes chuvas no
Sudeste, haviam derrubado pontes rodoviárias na BR
101.
Depois de algum tempo e uns goles de vinho,
dormimos ao relento no alpendre de um posto
florestal abandonado.
Na manhã seguinte, cada grupo iniciou a caminhada

50

Revista Médico em Dia

Setembro | Outubro de 2020

exploratória por caminhos diferentes.
O final de ambas jornadas convergiu para uma
determinada cachoeira que, por sinal, se encontrava
praticamente seca.
Formamos uma roda para conversar amenidades,
quando alguém do outro grupo falou: - vamos nesse
barco? Argumentei que não havia um consenso entre
os componentes do meu grupo. Foi nesse momento
que meu primo chamou minha atenção, apontando
para a mão do outro colega e disse: - olha ali o barco!
O camarada tinha acabado de preparar um baseado
e nossa trupe, sem querer, fazia parte de uma roda
de fumo.
A quem possa interessar, nenhum de nossa equipe
fumou, apenas passávamos o bagulho de mão em
mão.
Hoje, eu me questiono – será que não foi dessa
música que surgiu o termo – roda de fumo - e a gíria
– vamos nesse barco - como alegoria a uma viagem
psicodélica?
Afinal, Proud Mary ou melhor dizendo Marijuana,
proporciona uma viagem leve que deixa tudo
rodando, rodando... E.... como afirma a canção, você
não precisa ter dinheiro, as pessoas vão te aceitar na
roda pra queimarem juntos a Proud Mary.
... Rollin’, rollin’, rollin’ ontheriver...

VOCABULÁRIO
MÉDICO

Associada

COMORBIDADE
Dr Simônides Bacelar

O termo associado pode ter dois usos: como particípio
(verbo) e como adjetivo. É redundância em frases em
que funciona como adjetivo, como:
As comorbidades associadas que ocorreram foram
fortes complicações.
A doença costuma cursar com muitas comorbidades
associadas.
As comorbidades associadas aparecem tardiamente
nessa doença.

Sabe-se que comorbidade relaciona-se à doença,
associa-se a esta. Logo, o adjetivo "associada" sobra
nas frases supracitadas. O prefixo co- tem sentido
de associado, de proximidade, companhia, como se
vê nos dicionários; do latim cum, que significa com.
Comorbidade é o mesmo que morbidade associada.
Pode-se dizer morbidades, doenças ou morboses
associadas.
Não é redundância em casos que associadas funciona
como verbo na forma de pretérito e com o sentido de
reunidas, juntadas, como em:
As comorbidades, quando associadas entre si

(podem estar separadas sem conexão uma com a
outra), trouxeram graves complicações.
Duas ou mais comorbidades, associadas ao quadro
de gravidade do paciente, podem ser consideradas.
Não se considera como erro a expressão
comorbidades associadas em razão de seu amplo
uso na literatura, mas é oportuno considerar que,
diante de formas questionáveis, a proposição
que “é como todos dizem”, ou que o uso formal é
“estigmatizante”, dá forte arrimo às imperfeições, ao
compromisso com o desprimor, dificulta a busca e
a aplicação de aperfeiçoamentos à língua e ampara
orientações que constrangem os princípios que
regem a redação técnica científica formal, além
de levantar questionamentos. "Se a precisão da
linguagem é necessária a todos, ela é imprescindível
aos pesquisadores e cientistas, já que a imprecisão é
incompatível com a ciência"
(Saul Goldenberg, Publicação do trabalho científico:
compromisso ético. Acessível em http://metodologia.
org/wp-content/uploads/2010/08/saul_etica.PDF p.
5, consultado em 16-1-2015).

Revista Médico em Dia

Setembro | Outubro de 2020

51

CINEMA

Década de setenta em Fortaleza, a minha criancice
navegava por um horizonte lúdico de heróis incríveis,
envoltos por poderes fantásticos. Todos eram a
personificação do extraordinário, do mito que faz
o impossível com uma enorme capacidade de
superação. Todos tinham algo que me encantava.
Mas o elixir do meu encantamento era aquilo mais
evidente neles; a velocidade.
Sob a ótica pueril, a velocidade não é uma grandeza
da física clássica, ela é uma virtude do heroísmo. Seja
no deslocamento interplanetário do super-homem,
no foguete de Flash Gordon, no alcance das teias do
homem-aranha ou na corrida à curta distância do
cyborg. Ela é propulsora da admiração infantil. Assim,
os heróis me empurraram para as pistas de kart. Aos
oito anos de idade, passei a entender de corridas,
descobri a adrenalina e a empolgação contidas nas
graxas e motores. Era um espectador animado e
colecionador compulsivo das revistas quatro-rodas.
Via as figuras e sonhava. Émerson Fitipaldi e suas
vitórias chegaram na alavanca do ufanismo patriótico.
O automobilismo se tornou mais visível nas televisões
tupiniquins.
Era uma época de ouro das corridas de fórmula um
e no colégio muitos amigos descobriram o prazer de
torcer pelos carros do Brasil. José Carlos Pace, o Moco,
brilhou na fórmula 3 inglesa e fez “dobradinha” com
o Emerson na fórmula 1, em 1975. Arrojado, morreu
cedo demais em um acidente aéreo no caminho de
sua fazenda. Pace foi o prenúncio do talento para a
geração de 80. Vieram no vácuo os dois gênios mais
contemporâneos, Piquet e Senna que protagonizaram

52

Revista Médico em Dia

Setembro | Outubro de 2020

Por Dr Aloisio Bonavides

os duelos turbinados mais incríveis da história do
automobilismo mundial.
Sempre adorei a performance dos pilotos malucos
que presos em gaiolas metálicas recheadas de
combustível desafiavam o impossível na busca por
recordes. Foi por sorte que cai na pista de Le Mans
ao pegar o controle remoto e sintonizar no telecine
o badalado filme “Ford x Ferrari”, um grato achado
de fim de noite. Acertei a esmo. Cativado pelo
enredo forte e envolvido pelas cenas emocionantes,
minha escolha aleatória me recompensou. Voltei
aos anos sessenta, uma época que não vivi. Tempos
românticos. Reza a lenda que um excelente filme lhe
coloca no centro da ação, você vira um personagem.
Neste, se você adorar corridas, é bom checar as suas
coronárias.
Baseado em fatos reais, o filme narra a boa briga
entre o amargo comendador Enzo Ferrari e Henry

Ford II. A Ford visava vencer a corrida 24 horas de Le
Mans e tentava subjugar a Ferrari diante do público.
Destroná-la. Contratou o projetista-empresário
Carrol Shelby e o brilhante piloto Ken Miles, a dupla
responsável pelos momentos de maior vibração, para
desenvolverem um carro competitivo. Ken Miles, um
ex-militar da Segunda Guerra Mundial, mecânico de
tanques e motociclista de alta velocidade, era um
talento excepcional. Sabia desenvolver um carro
e transformá-lo em um projétil acelerado. Inglês e
súdito da Rainha, logo se adaptou aos Estados Unidos
por força do trabalho. Mas tinha um temperamento
explosivo, difícil de ser conduzido. Relutava em aceitar
ordens, pois estava acostumado a domar máquinas
em uma estranha zona limite com a morte.

As interpretações de Christian Bale como Miles e de
Matt Damon como Shelby conferem magnitude à
obra e tornam cada minuto hipnótico e único. Sob a
direção competente do novaiorquino James Mangold,
o filme consegue ser uma bela sinfonia do som dos
automóveis no entremeio de relações humanas
desgastadas, ou seja, uma bela interpretação da vida
real. Cumpre com perfeição os mandamentos do
cinema, diverte, educa e nos faz refletir sobre a eterna
aventura da vida humana. Recomendo, sem chance
de errar.

O filme mostra a vida familiar do piloto, sua relação
com o filho, os boicotes sórdidos dos engravatados
da Ford, a amizade fraterna com Shelby e a vontade
férrea de vencer. É um hino poético da vitória, da
determinação, do engajamento e da vocação de
um homem em conflito consigo mesmo. E mostra
explicitamente os bastidores do mundo dos negócios
no automobilismo de alta performance. Milhões de
doláres circulando nos ventos de cada curva.

Revista Médico em Dia

Setembro | Outubro de 2020

53

Clube de

Afinidades
30%

Park Idiomas
Unidades: 709 Sul e Taguatinga Sul
30% de descontos nos cursos de Inglês/Espanhol, não abrangendo taxa de
matrícula e extensível a todos os colaboradores, associados e familiares.

10%

Telefone: (61) 3263-0771

25 %

ICOD – Instituto de Cirurgia
Oncológica e Digestiva
SEP/S 710/910 Sul - Edifício Via Brasil - Sala 316- Asa Sul

ConVida
10% de desconto sobre o valor total
dos serviços prestados
CLSW 301 Bloco C sala 130 - Sudoeste
Telefone: (61) 98202 6547

10%

Telefone: (61) 98116 3743

Imunolife
Clínica de Vacinas
Vacinas de crianças e adultos.
Necessário apresentar carteirinha comprovando
vínculo com a AMBr.

20%

Fabrik - Condicionamento
FÍsico LTDA
SHIS QI 09 Bloco C Pavimento Superior Lj 04 e 05- Lago Sul
Telefone: (61) 99304 2953

SMHN Qd. 02 Ed. Dr. Crispim – salas 605 / 606 - Asa Norte
Telefone: (61) 3347 5957 / 3364 0775 / 3326 8899

10%

Vila Clínicas
10% de desconto na prestação de serviços de
saúde com consultas em várias especialidades.
Av. Belém Brasília, 28A, Térreo, Acampamento Rabelo
Vila Planalto

15%

Telefone: (61) 3386 0500 / 3202 8566

Neuron HP

15% de desconto em todos os serviços oferecidos
pela Neuron HP - Marketing Médico
SHIGS 710 Bl. B sal 13 - Edifício Via Brasil -Asa Sul
Telefone: (61) 98209 7878

5%

5% de desconto para pacotes turísticos no Brasil e no
Exterior e descontos especiais para os associados AMBr
para aquisição de outros produtos e serviços de turismo.
Experiência e segurança atuando há mais de 20 anos no
mercado com os principais parceiros do trade de turismo.

5asec 310 Sul

15%

Gold Turismo

SCN Quadra 1 Blcoo E, S/N -Edifício Central Park Telefone: (61) 3361 8380 / 99647 1727

15% de desconto nos serviços de limpeza de jalecos,
cortinas, tapetes e tênis. 10% de desconto nos serviços de
limpeza de roupas a seco e a água sem limite de peças.
Não cumulativo com outras promoções.
CLS 310 – Bloco B – Lojas 34 A / 34 B - Asa Sul
Telefone: (61) 3542-8825

5%

Módulo Energia
Gere sua própria energia através do sol e economize até
99% em sua conta. 5% de desconto para Gerador Solar
Fotovoltaico conectado à rede da concessionária.
SHIN CA 01 conjunto A Bloco A Sala 218 - Ed. Deck Norte

10%

Colégio Sagrado
Coração de Maria
até 10% de desconto nas parcelas da anuidade escolar
referente ao ano letivo de 2020.
SGAN quadra 702 conjunto c - Asa Norte Brasília-DF
cep: 70710-750 Telefone: (61) 3031-5000

Lago Norte
Telefone: (61) 3053 0300

5%

Swiss International
Schools do Brasil
5% de desconto na anuidade escolar.
Mediante a apresentação de carteirinha de associado.
SGAS 905 – conjunto B - Asa Sul

10%

Telefone: (61) 3443 4145 / 98422 2080

Home Hair
10% de desconto na prestação de Serviços de Barbearia
Delivery Módulo H, Casa 18, Condomínio Vivendas
Friburgo - Grande Colorado. Brasília – DF
CEP: 73105-901

10%

A2 Forneria
10% de desconto exclusivo para pedidos diretos no
restaurante, pela plataforma menudino
SQS 409 Bloco N Entrada F Apt. 302 Asa Norte Brasília-DF
cep: 70258-140

12 %

UNICOM
12% de desconto para produtor médicos e hospitalares aos
médicos associados

10%

TER CIME Health Produtos Odonto
Médicos Hospitalares LTDA

10% de desconto na linha de assepsia de mãos, álcool em gel e sabonete.

Revista Médico em Dia

Rua Prof. Paulo da Silva Coelho, 803 - Saltinho/SP BAIRRO: CENTRO

CEP: 70632-200

54

SAAN Quadra 02 nº 205 – Asa Norte- Brasília-DF

CEP: 13.440-007

Setembro | Outubro de 2020

Revista Médico em Dia

Setembro | Outubro de 2020

55
R.T.: Dra. Maria de Lourdes Worisch (CRM-DF 9036 | RQE 3302)

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